18.7.09
Sobre um livro diferente
Para me livrar da sensação, antes de voltar ao Brasil, fui a Paris, que eu não conhecia senão pelos relatos apaixonados de amigos e Hemingway. Larguei a bagagem num hotel três estrelas na rue Saint-Lazare e saí pelo nono "arrondissement".
Entrei num bistrô, deixei a cabeça e o estômago à mercê do vinho da casa e segui. Na rue Laplace uma velha me estendeu as mãos como se pedisse dinheiro. Catei os bolsos do sobretudo e pesquei uma nota de cinco euros, que quase detive entre os dedos, mas tive vergonha de negar ajuda.
Tomando meu braço direito, empurrou aberta a portinhola sob a placa de número 3, onde também se lia o salgado preço cobrado para "dizer o futuro". A velha me fez sentar num sofá de veludo amarelo e abriu uma mesinha plástica dobrável, onde dispôs um bolo de cartas cujas figuras me pareceram desenhadas à mão.
Talvez a nota que eu oferecera me desse direito a uma versão mais barata do futuro que ela se dizia capaz de prever.
Esperei pelo habitual: a mulher que me tinha inveja, o amor do passado que eu reencontraria, mas o que ela falou encerrou rapidamente a consulta: "Esqueça o livro que você estava escrevendo, vai ser um outro, diferente".
Corri porta afora à menção do livro. Escrevo à mão meus começos e rascunhos, às vezes capítulos inteiros. Eu não tinha apanhado na esteira do aeroporto a mochila com três cadernetas e um caderno maior, preenchidos em Berlim.
No hotel, pedi ajuda ao gerente, que ligou para o aeroporto e obteve a seguinte informação: qualquer bagagem abandonada é apreendida por medida de segurança antiterrorista e destruída. "Eu chamo o táxi, peça ao motorista que corra", comandou.
Paris já me parecia mais louca que Berlim àquela altura. Impressão que aumentou quando um engarrafamento numa das vias principais impediu que o táxi se movesse.
Pensava no tarô e no livro. Eu perdera meu livro inteiro. Minha imaginação via funcionários do aeroporto destruindo os cadernos com as palavras que eu escrevera sobre Berlim em um galpão à prova de explosivos e armas biológicas onde colocavam toda a bagagem abandonada no aeroporto e transformavam em pó.
O engarrafamento se dissolveu assim que Sarkozy terminou seu passeio de posse em carro aberto em direção ao Palácio do Eliseu, de acordo com o rádio do táxi.
No aeroporto, abri a carteira para pagar o chofer e me dei conta do segundo grande engano do dia. Por que a velha me lera o Tarô, se meus trocados não chegavam ao valor estipulado na placa à porta da casa?
Porque eu não lhe dera a nota de cinco euros. O vinho que eu tomara lhe deu a de cinquenta. O chofer aceitou esperar e me levar ao hotel, onde eu lhe pagaria a tarifa.
Dentro do aeroporto, fui passada de setor a setor, sem respostas e sem esperanças, até que um funcionário surgiu com a mochila azul intacta.
Rá! Bom motivo para voltar à cigana e dizer que ela estava errada: recuperei a mochila, então por que eu não continuaria escrevendo o que já começara naqueles cadernos? Que devolvesse meu dinheiro!
Não voltei à cigana porque o que li em minha caligrafia naquele final de tarde, quando me deitei na cama do hotel com os cadernos, não me dizia mais nada.
Em Berlim, a história havia sido uma. Fora de lá, a cigana estava certa: a história que eu escrevo agora sobre a cidade é outra. A superpopulação de lembranças esquisitas pede para sair dos porões.
Cecilia Giannetti, na Folha de S.Paulo.
17.7.09
Tem um lugar no céu
o trecho do stand-up é maomeno (como tantos outros que fazem sucesso por aí, aliás). no entanto, a área de comentários no youtube é + uma vez imperdível.
dica do Jordan Alves
Lulla lá

Quando Fernando Collor foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal das acusações de corrupção, em 1994, o atual presidente Lula declarou o seguinte:
- Como cidadão brasileiro que tanto lutou para fazer a ética prevalecer na política, estou frustrado, possivelmente como milhões de brasileiros. Só espero que, na esteira da maracutaia da anistia para Humberto Lucena (ex-presidente do Senado envolvido em caso de impressão irregular de panfletos na gráfica da instituição), não apareça um trambiqueiro querendo anistiar Collor da condenação imposta pelo Senado.
Quinze anos depois…
fonte: Nonsense
Marimbundão de fogo (15)
Estudantes levam pizzas para os corredores do Senado para protestar contra a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa. Um dos integrantes do movimento, com a camiseta com a letra 'S', no entanto, ficou de fora. Segundo os colegas, ela foi impedida de se juntar aos demais por um segurança.fonte: UOL
dica do Francisco Salerno Neto
Castidade tecnológica

No que pode ser a primeira versão digital do anel, programa foi desenvolvido por empresa que espera atrair jovens ligados em tecnologia e que desejam demonstrar os benefícios do autocontrole sexual até o casamento.
Os anéis da castidade — também conhecidos como anéis de pureza, anéis de compromisso ou anéis de abstinência — são uma invenção americana da década de 1990. Surgiram dentre grupos de abstinência sexual ligados a igrejas cristãs e são vendidos a adolescentes ou pais de adolescentes que queiram presentear seus filhos.
O uso desses anéis geralmente é acompanhado por um voto religioso de celibato até o casamento. São usados como demonstração de compromisso com a abstinência sexual até que sejam substituídos por uma aliança de casamento.
Ao contrário dos anéis de compromisso, os de castidade não necessariamente indicam compromisso afetivo. O simbolismo do anel da castidade é semelhante ao pretendido por quem usa correntes no pescoço com pingentes em forma de cruz ou crucifixo representando a fé do usuário em Jesus Cristo. O anel da castidade vai mais além, sendo um sinal externo de um compromisso voluntário de ordem moral.
Agora os jovens podem demonstrar seu voto de pureza também através do iPhone e do iPod touch, com o lançamento da aplicação PurityRing na App Store da Apple.
Desenvolvida pela Island Wall Entertainment, o que a aplicação faz é exibir um anel prateado girando na tela do aparelho. A empresa, que se descreve como a maior desenvolvedora de aplicações para cristãos para o iPhone, espera atrair jovens ligados em tecnologia e que, ao mesmo tempo, desejam demonstrar os benefícios do autocontrole sexual até o casamento. O programa tem a intenção de ser um complemento ao anel físico, e não um substituto.
Crê-se que esta seja a primeira versão digital do anel.
Dentre os usuários famosos dos anéis de castidade — e que agora tornam-se potenciais usuários do PurityRing — estão os integrantes da banda pop Jonas Brothers.
A aplicação é vendida a US$ 0,99 na App Store e pode ser baixada aqui (iTunes requerido).
Fonte: Applemania
Deus e o Jardim das Delícias
Já que a comparação que fiz entre missas e comportamentos histéricos em minha coluna da semana passada irritou bastante gente, proponho hoje desenvolver um pouco mais o tema.
Convenhamos que religião e nosso conhecimento do mundo não andam exatamente de braços dados. De um modo geral, virgens não costumam dar à luz (especialmente não antes do desenvolvimento de técnicas como a fertilização "in vitro") e pessoas não saem por aí ressuscitando. Em contextos normais, um homem que veste saias e proclama transformar pão em bife sempre que dá uma espécie de passe seria prudentemente internado numa instituição psiquiátrica. E não me venham dizer que a transubstanciação é apenas um simbolismo. Por afirmar algo parecido -a "impanatio"--, o teólogo cristão Berengar de Tours (c. 999-1088) foi preso a mando da Igreja e provavelmente torturado até abjurar sua teoria. Ele ainda teve mais sorte que o clérigo John Frith, que foi queimado vivo em 1533 por recusar-se a acatar a literalidade da transformação.
Quando se trata de religião, aceitamos como normais essas e muitas outras violações à ordem natural do planeta e à lógica. A pergunta que não quer calar é: por quê?
Ou bem Deus existe e espera de nós atitudes exóticas como comer o corpo de seu filho unigênito ou o problema está em nós, mais especificamente em nossos cérebros, que fazem coisas estranhas quando operam no modo religioso. Fico com a segunda hipótese. Antes de desenvolvê-la, porém, acho oportuno lembrar que a própria pluralidade de tabus ritualísticos depõe contra a noção de Verdade religiosa.
Se existe mesmo um Deus monoteísta, o que ele quer de nós? Que guardemos o sábado, como asseguram judeus e adventistas; que amemos ao próximo, como asseveram alguns cristãos; que nos abstenhamos da carne de porco, como garantem os muçulmanos e de novo os judeus; ou que não façamos nada de especial e apenas aguardemos o Juízo Final para saber quem são os predestinados, como propõe outra porção dos cristãos?
Talvez devamos eliminar os intermediários e extrair a Verdade diretamente nos livros sagrados. Bem, o Deuteronômio 13:7-11 nos manda assassinar qualquer parente que adore outro deus que não Iahweh; já 2 Reis 2:23-24 ensina que a punição justa a quem zomba de carecas é a morte. Mesmo o doce Jesus, fundador de uma religião supostamente amorosa, em João 15:6, promete o fogo para quem não "permanecer em mim".
E tudo isso em troca do quê? A Bíblia é relativamente econômica na descrição do Paraíso, mas o nobre Corão traz os detalhes. Lá já não precisamos perder tempo com orações e preces, poderemos beber o vinho que era proibido na terra (Suras 83:25 e 47:15), fartar-nos com a carne de porco (52:22) e deliciar-nos com virgens (44:54 e 55:70) e "mancebos eternamente jovens" (56:17). O Jardim das Delícias parece oferecer distrações para todos os gostos, mas, se banquetes, prostíbulos e saunas gays já existem na terra, por que esperar tanto... -poderia perguntar-se um hedonista empedernido. Leia +.
Hélio Schwartsman, na Folha Online.
dica da Silvia Godoy e do Jarbas Aragão
recomendo a leitura de todo o texto.
Jesus era um travesti
Durante uma década David Shayler foi uma espécie de "James Bond". Membro do MI5, agência secreta britânica, ele viveu o glamour e os perigos de um espião. Só que Shayler caiu em desgraça após cometer um deslize ser indiciado pelo Official Secrets Act, tendo que deixar a corporação.
O ex-agente de 43 anos surtou. Esta semana ele mostrou sua nova "identidade": Delores Kane. Sim, Shayler agora aparece em público travestido, com seios falsos, minissaia e peruca.
Amigos e familiares dizem que Shayler sofreu um grave colapso mental. Em primeiro lugar, o ex-espião britânico começou a se proclamar o "Messias" e decidiu se mudar para um sítio em uma região distante de Surrey.
"Eu sei no fundo do meu coração que sou Cristo e que estou aqui para salvar a Humanidade", diz Shayler, no corpo de Delores. Ou seria o contrário?
"Estou aqui para mostra à Humanidade o caminho e mostrar o amor incondicional que inclui assassinos e pederastas", segue o ex-agente, que antes da transformação vivia com uma companheira.

Segundo ele, as roupas de mulher que usa são porque "Jesus era um travesti". Nooossa!
Shayler criou uma espécie de comunidade alternativa - o Movimento Arco-íris - na propriedade em que vive. Uma espécie de quartel-general para salvar os homens - e as mulheres.
"Minha vida está muito melhor agora", finaliza. Veja como ele era antes de ser possuído por Dolores:

fonte: Page not found
Show de relevância (60)
Autor da proposta, o deputado Nivaldo Manoel (PPS) acredita que “a palavra de Deus ajudará a melhorar os ânimos” dos colegas para enfrentar os problemas no plenário.
“Às vezes são sessões acirradas, muito violentas, com muitas discussões pesadas. Então, acredito que a palavra de Deus possa melhorar um pouco os problemas que existem aqui no plenário”, diz o deputado, que já havia aprovado antes um projeto para que todas as sessões fossem abertas em nome de Deus e iniciadas com a leitura de um versículo bíblico.
O deputado calcula que serão usados sete minutos de cada sessão para leitura e reflexão sobre a Bíblia - feitos por ele mesmo - assim que o projeto, aprovado por unanimidade, for publicado no “Diário Oficial” da Casa. Neste tempo, afirma, os deputados “permanecerão da forma que eles quiserem”, mas pedirá silêncio.
“Sou evangélico de uma igreja como a Assembleia de Deus, muito rígida, de mais titularidade à obediência da Bíblia. [...] Tenho essa vantagem e a coragem de fazer isso. E vou fazer em nome de Jesus essa reflexão pregando a palavra sem nenhum constrangimento, como se estivesse no púlpito de uma igreja”, afirma o deputado, que disse não ser pastor.
Manoel acredita que a reflexão poderia ser adotada também no Senado, como forma de melhorar “a atitude dos parlamentares”.
“Se tem um evangélico lá, deveria ter um seguimento bíblico para que haja maior tranquilidade e equilíbrio no plenário.”
fonte: G1
afff...
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Jornalista desempregado (254)

João Gilberto no banquinho cantando "e mesmo quando eu chorar, as minhas lágrimas serão..."?Nananina. Somente um descuido do estagiário (culpa sempre deles...rs) que confundiu Aos pés da Santa Cruz (Wilson Simonal) c/ a música do Kleber Lucas.
dica do Jarbas Aragão
O blog dos 30 'eus' se difere dos manjados coletivos literários
Liberdade total onde o texto predomina - são crônicas, críticas, fotografias, poemas, poesias, enfim, o que sair da cachola de 30 cabeças pensantes. Conheçam o Blog das 30 Pessoas.
No ar há quase 2 meses, o projeto reuniu um time de 30 blogueiros, de perfis muito distintos, para escreverem no site apenas uma vez por mês. Todo dia é dia de algo quente e de autoria diferente. O resultado é pra lá de interessante e deixa a seguinte pergunta no ar: como ninguém pensou nisso antes?
O Virgula conversou com o jornalista paulistano Lucas Guedes, de 28 anos. Ele é o criador do site, mas faz questão de dizer que o site é um grande coletivo, uma comunidade de 30 "eus".
Como surgiu a ideia do blog? Foi inspirado em algum projeto semelhante?
Tenho outros blogs, mas o que mais escrevo, desde 2005, é o condussão. De uns tempos pra cá, pela correria do dia a dia, eu postava muito pouco e quando via meu blogroll percebia que a maioria dos blogs linkados também não estava atualizada. E eu sabia que era por falta de tempo ou, talvez, preguiça dos blogueiros. Então pensei: "poxa, seria bacana um blog em que cada pessoa escrevesse apenas uma vez por mês, pois não teria desculpa por não postar". A pessoa escreve hoje e tem 29 dias pra pensar no próximo post! Sei que há outros blogs coletivos, mas com esta organização, em que cada um escreve um post por dia, durante 30 dias, desconheço. Leia +.
fonte: Vírgula
escrevo lá no dia 30. recomendo passar por lá diariamente! =)
16.7.09
Humor de quinta (114)
Uma frase bem conhecida diz que "editor é aquele sujeito que separa o joio do trigo e publica o joio". Lembrar disso numa quinta-feira é particularmente engraçado. Curtiria bastante colocar todas as sugestões bem-humoradas que chegam, mas o "filtro" de editor atrapalha bastante nessa hora. Aí o pateta aqui vira conservador p/ os desencanados e profano p/ os +, digamos, ortodoxos. Nem preciso dizer que eu "sidivirtu"... :P
A edição de hj contou c/ a participação de vários colaboradores: Judith Almeida, Kesia Leonardo, Francisco Salerno Neto e Rodolfo Alves Ortiz. Muuuito obrigado!
Minha gratidão tb à quantidade cada vez maior de pessoas que visita este sitiozinho. Mimimi ou não, vcs são a maior riqueza deste lugar! =)
big abraço
Enigma
Você está pilotando um carro e mantém uma velocidade constante. Do seu lado esquerdo encontra-se um cisne enorme. Do lado direito um grande carro de bombeiros, que mantém uma velocidade idêntica à sua.
À sua frente galopa um cavalo, que é bem mais alto do que o teu carro, e você não consegue ultrapassá-lo. Atrás de você vem um helicóptero rente ao chão. Tanto o cavalo como o helicóptero mantêm uma velocidade idêntica à sua.
O que você faz para sair desta situação em segurança?
Pense um pouco... A resposta está mais abaixo.
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Resposta:SAIA DO CARROSSEL E PARE DE BEBER QUE O ÁLCOOL ESTÁ ACABANDO COM VOCÊ!







































